Estatística de PartidaEstatísticas de JogadoresGiselle Andreolla (sccp scouts)

Por que vencemos o Derbi (de novo)?

Análise: Palmeiras 0 x 1 Corinthians (02/02/19)

Após a apresentação nada animadora diante do RedBull Brasil, as expectativas para o clássico diante do Palmeiras não era das melhores. Em todas as bancada jornalísticas, as apostas apontavam o time alviverde como o grande favorito, e de fato, era.

No meu post anterior aqui no Timão Hoje, onde analisei a partida contra o time do Julio Cesar, pontuei que esperava para o jogo contra o Palmeiras um time com um nível de intensidade muito maior e com mais responsabilidades defensivas. Eu não falei isso simplesmente porque achei que era necessário, mas porque conhecemos o Carille muito bem para saber que seria o esperado por ele também.

Escalação do Corinthians para o primeiro Derbi de 2019
Escalação do Corinthians para o primeiro Derbi de 2019

Diferente do que aconteceu nos demais jogos do campeonato paulista, o Corinthians, em seu modelo 4-1-4-1, compactou as linhas e contou com muita entrega também de seus meias para não dar espaço ao Palmeiras. Destaco, taticamente, a partida que fez o Ralf e também o Matheus Vital. Nosso cão de guarda já conhecemos de muitos anos, ele não precisa fazer falta e nem morder o portador da bola o tempo todo, pois sua noção de posicionamento em campo limita e MUITO as ações do adversário. O Vital, por sua vez, não nos permitiu perguntar: e se o Romero estivesse nesse jogo? Ele foi taticamente perfeito, ajudou o Fagner nas linhas, interceptou passes e, enquanto fisicamente foi possível para o Corinthians, contribuiu com a saída de bola mais qualificada que a do paraguaio.

Vamos a resenha?

No primeiro tempo, até o momento do gol, o Corinthians ainda não tinha chegado na área, isso porque o Palmeiras tinha a bola mas não conseguia sair do meio de campo, nem agredia o time alvinegro e nem permitia ser agredido, ficou tocando e girando o jogo por alguns minutos, e quando tentava um passe mais vertical, era interceptado. Isso se deu pela compactação das linhas do Corinthians, com o Matheus Vital dobrando a marcação diante do portador pela direita e o Sornoza / Jadson fazendo o mesmo pela esquerda.

posicionamento defensivo Palmeiras 0 x 1 Corinthians
posicionamento defensivo Palmeiras 0 x 1 Corinthians

Nesta imagem, é possível perceber que o lateral do Palmeiras não tem espaço para progredir com a bola. O Ralf protege um possível passe para o meio, o Ramiro se prepara para dar o bote, o Gustavo dificulta que ele volte a bola para o Bruno Henrique, o Matheus Vital fecha a linha de passe à frente mais próxima e o Fagner cobre as possíveis infiltrações pelo corredor. O Palmeiras era quase sempre forçado a tentar um lançamento mais longo em direção ao Borja, que não tem como característica fazer a parede, como é o caso do Gustagol.

Vale muito destacar também a inteligência tática do nosso centroavante, que se posiciona sempre fechando a primeira linha de passe tanto em progressão quanto em recuo. Em um lance, por exemplo, ele ajuda a fechar as linhas de passe do palmeiras e acaba interceptando a bola do Luan, em seguida se apresenta no campo de defesa para fazer a parede e ganhar a bola pelo alto lançada pelo Danilo Avelar.

Quando o Corinthians roubava a bola e saía em direção ao campo de ataque, mas a perdia logo em seguida, o time já agia e não permitia o Palmeiras sair em velocidade, pois se posicionavam rapidamente para fechar as linhas de passe, obrigando o time alviverde a recuar e ganhando tempo para a reorganização defensiva.

Quando o Matheus Vital subia a marcação para agredir o portador, o Fagner fechava a linha de passe mais à frente e o Manoel cobria as costas do lateral corinthiano, dificultando a progressão pelo setor. Dudu encontrou muita dificuldade por ali, tanto que foi orientado pelo Felipão a trocar de lado e atacar pela direita do campo ofensivo do Palmeiras e lado esquerdo do nosso setor defensivo, transferindo a responsabilidade de marcação para Avelar e Sornoza ou Jadson (os dois variavam quem pressionava a bola mais a frente e quem apoiava o lateral esquerdo na marcação)

Danilo Avelar gol contra o Palmeiras
Danilo Avelar. Foto: Daniel Augusto Jr – Agência Corinthians

O gol:
Matheus Vital aperta a marcação no portador, que recua para o Gomes, Gustagol, muito intenso e atento ao jogo, não permitiu o zagueiro a tranquilidade para dominar e roubou a bola, servindo ao Ramiro, que acionou o Matheus Vital em velocidade. O camisa 22, dentro de sua característica, conduziu a bola para o meio e sofreu a falta do Bruno Henrique. Sornoza acertou um cruzamento perfeito, e, Gustagol, talvez o melhor cabeceador do Brasil, subiu mais alto que todo mundo e obrigou o goleiro alviverde a operar um milagre, mas que não foi possível salvar o chutaço do Danilo Avelar jamais criticado e sempre enaltecido.

No primeiro tempo, o Corinthians ainda saía com Gustagol fazendo a parede e servindo os meias em progressão, mas aos poucos fomos recuando e a marcação se tornou um bloco super compacto no primeiro terço do campo. Muito disso pela intensidade que o Palmeiras impôs no momento pós perda, não dando espaço pro Corinthians respirar e abandonar as linhas defensivas. O próprio time também sentiu a parte física e a falta de entrosamento, e aos poucos se abdicou de sair em busca do segundo gol.

Ramiro sai para dar o bote e o Ralf se posiciona para impedir que o Palmeiras atue pelo meio. O mesmo acontecia quando o Ralf saía.
Ramiro sai para dar o bote e o Ralf se posiciona para impedir que o Palmeiras atue pelo meio. O mesmo acontecia quando o Ralf saía.

Ramiro e Ralf não deixaram o jogo acontecer pelo meio. Quando um dos meias palmeirenses carregavam a bola pro lado na tentativa de mover a defesa e abrir o buraco, o outro rapidamente tomava a posição e fechava as alternativas por ali possíveis. O Palmeiras se resumiu a chutes de fora da área, que não levaram perigo algum para o Cássio e cruzamentos laterais, esses um pouco mais trabalhosos para a defesa corinthiana, que ainda encontra muita dificuldade em como marcar essas bolas. Por isso havia sempre o lateral e um meia ou ponta fazendo essas marcações nos corredores, não dando tempo e muito menos espaço para os jogadores palmeirenses efetuarem esses cruzamentos com tranquilidade. Por outro lado, o saldo dessa intensidade defensiva pelos cantos extremos do campo resultou em vários escanteios. Sorte que os palmeirenses estavam com a pontaria muito ruim.

O grande problema, além das bolas aéreas, era o desafogo pela frente.. por vezes a bola era roubada e o Gustavo saia em progressão, mas o comprometimento defensivo do Matheus Vital e Sornoza, e a falta de velocidade do Jadson, por exemplo, tornavam raras as vezes em que puderam ser opção de passe, então o nosso centroavante rapidamente perdia a bola.

Eu já citei aqui a importância de se ter paciência com esse desenvolvimento ofensivo. O Carille trabalha diferentes formas e ainda não conseguiu definir o time titular. Se o Derbi fosse no meio da temporada, por exemplo, com certeza teríamos opções de saída com pontas que descolariam das linhas defensivas para receber o passe do Gustavo em velocidade e criar uma situação de ataque. Por ora, para o clássico, o importante era não perder.

Devo destacar também a partida que fez o Sornoza. Sempre muito bem posicionado, pouco cedeu de espaço para o Palmeiras. Quando o Dudu inverteu de lado, até conseguiu se sair melhor do que pelo lado coberto por Matheus Vital e Fagner, mas mesmo sim tinha pouca precisão em sua atuação, sempre perseguida de muito perto pelo nosso camisa 7, e contando com uma cobertura de uma atuação defensiva muito boa do Danilo Avelar.

Alguém lembra do Lucas Lima no clássico? Talvez ainda esteja no bolso do Ramiro!

O que esse Derbi diz sobre os dois times?

Corinthians: Precisamos ter paciência para que o Carille encontre a melhor formação e encaixe as transições ofensivas, mas podemos ficar tranquilos que teremos um time competitivo e difícil de ser batido. Podem me achar louca por dizer isso, uma vez que mais perdemos do que ganhamos, mas é porque ainda não entramos no ritmo de competição. Estamos em fase de testes, a intensidade vem aos poucos, e o clássico nos mostrou que a temos, que está em nosso DNA.

Sinal de alerta: A bola aérea defensiva. Já a algumas temporadas esse vem sendo nosso ponto fraco, mas não precisa ser nem perto do que acontece atualmente. Claro que a rodagem na dupla de zaga tem peso nisso, mas questões individuais não podem continuar acontecendo. Manoel tem que parar de marcar a bola e marcar jogador. Teve um lance de escanteio que o Carlos Eduardo deixa sua posição na hora do cruzamento e assume o buraco deixado por Manoel, que sai na cobertura do primeiro pau quando a bola se dirige para o meio. O atacante cabeceou livre, mas para a nossa sorte, São Jorge não permitiu uma bola dessas se quer no alvo.

Palmeiras: O time tem um jeito de jogar muito bem definido e que tem sucesso, até pela qualidade do elenco, mas se eu fosse palmeirense estaria preocupada com a falta de variação tática do time. Lembro que ano passado teve muita confusão entre o Mauro Cezar (jornalista da ESPN) e os torcedores do rivale, pois o comentarista alertava pra limitação da estratégia do time alviverde e os palmeirenses, arrogantes pelos resultados obtidos no campeonato brasileiro, não aceitavam sua opinião. Com certeza será favorito no campeonato brasileiro, pela consistência que tem em pontos corridos, mas talvez esbarre novamente em times que se preparam muito bem para o mata-mata e anulem os pontos fortes desse time (lançamentos do Felipe Melo, descidas do Bruno Henrique, velocidade do Dudu e cruzamentos na área). O rivale não consegue variar a estratégia diante de diversidades, pouco cria com a bola no pé, e, apesar de ser início da temporada, ainda não vi o Felipão buscando alternativas, desde a primeira rodada joga exatamente como terminou o ano passado.

Vamos as estatísticas? (Todos os dados via @sccpscouts)

Estatísticas Palmeiras 0x1 Corinthians
Estatísticas Palmeiras 0x1 Corinthians

 
 
 
 
 
 
 
Posicionamento médio na tarde de ontem no Allianz Parque – na segunda imagem, após as entradas de G. Silva, Richard e Pedrinho.

 

Estatísticas individuais:

Cássio em Palmeiras 0-1 Corinthians: • 90 minutos em campo • 1 defesa • 1 bola aérea afastada • 1/1 passes certos • 10/35 bolas longas precisas • 1 corte • 2/2 duelos vencidos • 1 falta sofrida
Fagner em Palmeiras 0-1 Corinthians: • 90 minutos em campo • 3 cortes • 1 bloqueio • 4 interceptações • 3/3 desarmes concluídos • 4/8 duelos vencidos • 2 perdas de bola • 1 falta cometida • 1 cartão amarelo • 23/31 passes certos
Manoel em Palmeiras 0-1 Corinthians: • 90 minutos em campo • 5 cortes • 1 bloqueio • 1/1 desarme concluído • 2/6 duelos vencidos • 13/24 passes certos • 4/10 bolas longas precisas
Henrique em Palmeiras 0-1 Corinthians: • 90 minutos em campo • 13 (!!!) cortes • 1 bloqueio • 2 interceptações • 4/6 duelos vencidos • 1 falta sofrida • 8/9 passes certos
Danilo Avelar em Palmeiras 0-1 Corinthians: • 90 minutos em campo • 1 gol • 5 cortes • 2 bloqueios • 1/1 desarmes concluídos • 5/8 duelos vencidos • 2 faltas sofridas • 2 faltas cometidas • 1 cartão amarelo • 10/16 passes certos • 3/5 bolas longas precisas
Ralf em Palmeiras 0-1 Corinthians: • 90 minutos em campo • 30/34 passes certos • 2/3 bolas longas precisas • 3/6 duelos vencidos • 1 falta sofrida • 3/6 duelos vencidos • 4 cortes • 1 bloqueio • 1 interceptação
Ramiro em Palmeiras 0-1 Corinthians: • 76 minutos em campo • 33/38 passes certos • 4/12 dribles bem-sucedidos • 3 faltas sofridas • 4 faltas cometidas • 1 finalização bloqueada
Mateus Vital em Palmeiras 0-1 Corinthians: • 68 minutos em campo • 16/20 passes certos • 1 finalização ao alvo • 1 finalização pra fora • 3/4 dribles bem-sucedidos • 6/13 duelos vencidos • 2 faltas sofridas • 1 falta cometida • 1 interceptação • 1/1 desarmes concluídos
Jadson em Palmeiras 0-1 Corinthians: • 78 minutos em campo • 21/25 passes certos • 1 passe decisivo • 1/2 cruzamentos certos • 1/1 bolas longas precisas • 1/6 duelos vencidos • 1 perda de bola • 1 falta sofrida • 1 cartão amarelo • 1 interceptação
Junior Sornoza em Palmeiras 0-1 Corinthians: • 90 minutos em campo • 31/35 passes certos • 2 passes decisivos • 1/1 cruzamentos precisos • 3/3 bolas longas precisas • 1 finalização ao alvo • 1/1 dribles bem-sucedidos • 3/10 duelos vencidos • 2 perdas de bola • 1 falta sofrida • 2 faltas cometidas • 1 corte • 1 bloqueio • 2 interceptações • 1/1 desarmes concluídos
Gustavo em Palmeiras 0-1 Corinthians: • 90 minutos em campo • 2 finalizações ao alvo • 2/2 dribles bem-sucedidos • 14/23 passes certos • 1 passe decisivo • 11/24 duelos vencidos • 1 falta sofrida • 5 faltas cometidas • 2 cortes
Gustavo Silva em Palmeiras 0-1 Corinthians: • 22 minutos em campo • 1/2 passes certos • 1/1 dribles bem-sucedidos • 3/5 duelos vencidos • 2 faltas sofridas • 2 faltas cometidas
Richard em Palmeiras 0-1 Corinthians: • 14 minutos em campo • 9/10 passes certos • 1 finalização pra fora • 1/2 duelos vencidos • 1 falta cometida • 1 cartão amarelo
Pedrinho em Palmeiras 0-1 Corinthians: • 12 minutos em campo • 8/8 passes certos • 1 passe decisivo • 1 finalização pra fora • 1/2 duelos vencidos • 1 falta sofrida

Nosso retrospecto histórico no Derby Paulista:

360 jogos • 127 vitórias • 106 empates • 127 derrotas • 45% de aproveitamento • 479 gols marcados • 515 gols sofridos
No Paulistão: • 209 jogos • 78 vitórias • 61 empates • 70 derrotas • 47% de aproveitamento • 282 gols marcados • 297 gols sofridos
Corinthians jogando no Allianz Parque: • 7 jogos • 4 vitórias • 1 empate • 2 derrotas • 61,9% de aproveitamento • 8 gols marcados • 5 gols sofridos

O Corinthians de Fábio Carille enfrentando o Palmeiras:

• 8 jogos • 7 vitórias • 1 derrota • 87,5% de aproveitamento • 11 gols marcados • 3 gols sofridos • Campeão paulista (2018) • 80% de aprov. na Arena • 100% de aprov. no Allianz • 6 jogos sem sofrer gol

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Agora é hora de virar a chavinha e foco total na Copa do Brasil. Contra os adversários teoricamente mais fáceis é que encontramos as dificuldades, uma vez que ainda não temos uma ideia ofensiva formada e entrosada. Vamo que vamo e Vai Corinthians!
Ps: Preferi não comentar o ocorrido entre Deyverson e Richard, nem os palmeirenses conseguem defender o cara. Simplesmente ridículo!
Giselle Andreolla, do SCCP SCOUTS, para o Timão hoje!

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