Estatística de PartidaGiselle Andreolla (sccp scouts)

Desastre contra o RedBull, expectativa para o clássico!

Corinthians 0 x 2 RedBull Brasil (quarta rodada do paulista 2019)

A decepção contra o RedBull e a expectativa para o clássico!

Apesar de inúmeras críticas, eu sempre tenho apontado pontos positivos nas apresentações do time nessa temporada até aqui. Contra o RedBull Brasil eu até tentei espremer o limão seco, mas foi realmente uma partida de doer os olhos e a alma.

Individualmente, até mesmo quem já vinha se destacando e mostrando bom desempenho físico e técnico não foi bem. Ofensivamente um time preguiçoso nas movimentações, sem profundidade, com toque de lado e nenhuma agressão.

O time teve uma formação diferente, o Boselli teve seu primeiro jogo como titular, Thiaguinho atuou como segundo volante, Ralf estreou na posição em que é titular, e o Léo Santos entrou na vaga de Danilo Avelar.
Escalação:

escalação - Corinthians 0 x 2 RedBull Brasil
escalação – Corinthians 0 x 2 RedBull Brasil (4 rodada paulista 2019)
Sem a bola, o time se defendia no 4-4-2, com Boselli e Jadson a frente. Atacando, o Thiaguinho se apresentava mais a frente, puxando para o lado direito e o Jadson a sua esquerda, num 4-1-4-1, sendo o Ralf o homem defensivo atrás.
Que o Ralf é um excelente marcador, todos sabemos, mas a saída de bola com qualidade nunca foi seu forte, e isso levou o time a trocar muitos passes no setor defensivo. Percebendo essa dificuldade na saída de bola corinthiana, o Redbull subia a marcação e pressionava a saída, forçando o Corinthians a cometer erros de passes e a fazer lançamentos longos. Lá na frente, nosso time com uma estatura média baixa, dificilmente ganhava essas bolas.
O Boselli até se movimentava, mas as bolas não chegavam para ele. O time tocava de lado e com muita lentidão. Ramiro e Matheus Vital não faziam saídas em velocidade para dar amplitude ao ataque, proporcionando cruzamentos para o Boselli, então o time, mais uma vez, ficava a depender de um toque de mestre do Jadson ou de boas transições pelo lado do Fagner. O problema é que os dois estavam nitidamente apresentando cansaço físico e não fizeram boa partida. O resultado foi um time com uma grande posse de bola mas nenhuma verticalidade. Rodaram a bola com lentidão e ofereceram contra-ataques em erros de passe.

Até que o time consiga se definir entre quem será titular, quais serão os pontos fortes ofensivos, os tipos de transições e funções individuais dentro de campo, a dificuldade na criação será um problema e, convenhamos, isso é natural. 

O que realmente me preocupou nesse jogo foi o sistema defensivo, que é um ponto forte tão característico do Carille e que, a essa altura, já deveria apresentar evolução. Existe diferença entre tomar um gol por uma falha individual e permitir a ação ofensiva pelos espaços deixados por falha coletiva. 

O time de Carille sem a bola se posiciona com duas linhas muito próximas, onde os pontas se aproximam dos laterais e fecham os espaços ao lado dos volantes. Em diversas situações, o centro-avante também se aproxima e fecha uma linha de 5, deixando apenas o Jadson mais a frente, até pela limitação física do nosso camisa 10.

Contra o RedBull, por sua vez, havia muito espaço entre os 4 homens à frente do Cássio e a linha formada pelos volantes e os pontas, e ninguém agredia o portador da bola. O time do nosso amado Julio César teve espaço para agredir entrelinhas da defesa corinthiana, além de tempo para o portador pensar e executar as jogadas sem ser incomodado. Veja:

RedBull tem espaço entrelinhas do Corinthians
RedBull tem espaço entrelinhas do Corinthians
No segundo tempo o Thiaguinho saiu do jogo dando vaga ao Pedrinho, e o Leo Santos, improvisado, foi substituído por Danilo Avelar. A intenção era claramente oferecer essa amplitude pelos lados, mas o time continuou sem intensidade e rodando a bola de um lado pra outro. A intenção do Carille ao tirar o Jadson e colocar o Gustagol dentro da área ao lado do Boselli era aumentar o poder de fogo por ali, mas para isso, Danilo Avelar, Matheus Vital, Pedrinho e Fagner deveriam chegar mais a frente, fazer jogadas mais verticais e realizar cruzamentos vindos da linha de fundo. O time até tentou efetuar cruzamentos, mas eram imprecisos, feitos da intermediária, o que facilita as ações dos defensores.

O primeiro gol do RedBull Brasil mostra muito essa falta de intensidade e concentração na marcação, até mesmo o Cássio errou o tempo de bola, saiu, não achou nada e deu no que deu. Alguns acreditam que o Henrique o atrapalhou, pois fechou seu espaço de ação e ainda subiu completamente errado, mas a verdade é que o time todo estava desligado em campo. O problema crônico das bolas aéreas na área alvinegra segue nos atormentando e será um grande desafio para o nosso treinador nessa temporada.

Gol do RebBull em pane defensiva do Corinthians
Gol do RebBull em pane defensiva do Corinthians

Um time em reformulação começa a se arrumar de trás para frente, é assim com qualquer treinador do mundo. O que o time precisa começar a mostrar agora é mais consistência defensiva, para aos poucos as coisas começarem a funcionar lá na frente, onde realmente é necessário mais tempo.

Dados da partida que mostram em números o quão ruim o Corinthians jogou:

Estatísticas Corinthians 0 x 2 RedBull Brasil
Estatísticas Corinthians 0 x 2 RedBull Brasil (via SofaScore)

O que eu espero para o clássico é um time muito mais organizado e competitivo no setor defensivo, com Jadson e Boselli encarregados de fazer uma pressão mais à frente, tendo cobertura dos pontas e do segundo volante para que haja sempre dupla marcação e linhas de passes adversários anulados pelo bom posicionamento do time, obrigando o Palmeiras a fazer lançamentos sem espaço para executá-los como desejam, e com muito cuidado na cobertura dos jogadores responsáveis por receber esses lançamentos e sair em velocidade, como o Dudu.

No mais, já quero fazer um apelo a fiel para sermos pacientes. O jogo contra o Redbull foi preocupante, eu sei, o time não mostrou evolução e nenhuma concentração, mas encontrar o melhor jeito de jogar ainda vai levar um tempo, agora que o Carille está começando a ter todo o elenco em condições de jogo. Uma derrota para o rivale, desde que diante de um Corinthians aguerrido, organizado e concentrado, não deve instaurar crises ou colocar o trabalho do Carille em xeque. Diferente de 2017 quando tínhamos poucas opções e foi mais fácil implementar a ideia de jogo, dessa vez o Carille, graças a São Jorge, tem mais opções de escalação e estratégias, ainda que precisemos de alguns reforços pontuais, então demora mais para que a ideia seja assimilada e posta em prática.

O Palmeiras vem pronto do ano passado, com a ideia de jogo já bem clara e já vencedora, então são os favoritos. O nosso papel é lutar por cada bola e mostrar evolução independente do resultado.

Vamos ter paciência, vamos apoiar até o fim, vamos lutar como sempre e Vai Corinthians!

Giselle Andreolla do Corinthians Scouts para o Timão Hoje!

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